terça-feira, 29 de maio de 2012

Segredo ou Prudência? - Allyson Alves.



Não é segredo o que eu não conto.
É só um jeito, com medo, de deixar
Permanecer como é.
Pra não estragar a vista,
E nem desacompanhar 
Essa conversa atípica.
Nem sei se é segredo ou prudência.
É um querer sem sentido
E um poder perigoso.
Não é segredo o que eu não conto.
Eu canto, mas não conto.
Se eu canto não é segredo,
E como nunca se percebe assim,
Fico melhor, com pouco medo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O depois do depois. - Allyson Alves.


Nesta noite
Faltam palavras, faltam risadas,
Faltam toadas.
Faltam todas.
E falta uma.
Falta brilho nos olhos,
E cor de sorriso.
Falta o desafio, a culpa,
A dúvida e a dor.

Nesta noite
Falta frio.
Falta o corpo em seu tipo.
E falta sono, e falta o “como?”
Falta sim, falta não,
Falta companhia, falta solidão.
Falta falar, falta silêncio.
Falta pensar, falta querer,
E falta calafrio.

Nesta noite
Falta tanto,
Que me falta até dar tchau.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Amar em pausas e semicolcheias - Allyson Alves.

Com mil arranjos e uma vida desarrumada.
Me arranjam trabalhos, problemas e despesas.
Me arrumo saudade, e vez ou outra me arrumo,
E vou matá-la!
E desarrumado parece que sempre estou,
E mal arranjado, e, ironicamente,
Arranjador de muitas canções.
E fazendo canções pra ver se me vê menos desarrumado.
Menos desafinado, menos desalinhado.
Pra não arrebentar essa linha de 240 km que nos une.
Linha de aço, que resiste aos meus nervos aflorados.
E resiste ao tempo, e resiste ao translado.
Eu, que me arranjei com você do meu lado,
Mesmo que esse lado não seja facilmente alcançado.
E que não sendo assim tão alinhado, me faço arrumado.
Pra você me ver abobado e admirado
Pelo afinado tom da nossa música,
No arranjo afiado da nossa melodia.

domingo, 10 de abril de 2011

Ela é do interior - Allyson Alves


Eu tenho uma viola caipira.

E ela sozinha se basta.

E me basta.

E basta ouvir o som da viola

Pra que o corpo e a alma se tornem

Braço e mão do som que ela emite.

Braço e mão que as tocam.

Hoje, longe dos amplificadores valvulados,

Das pedaleiras poderosas e distorções

Calibradas para o virtuosismo da guitarra,

A viola caipira me basta.

E somos, assim, felizes.

Foi preciso viver o mundo da complexidade,

Conhecer os materiais, a tecnologia,

As tendências e influências internacionais,

Pra perceber que estava na contramão:

O meu caminho aponta pro interior.

E na sonoridade do interior,

Que conheço desde criança, me encontrei.

E a encontrei.

Com dez cordas.

Tão simples quanto a vida do interior.

Vida simples, instrumento simples,

E de complexa compreensão.

Curiosamente foi no interior que nos conhecemos.

E nessa trilha mineira de estradas de terra

E vida simples, que nós nos apaixonamos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Rua dos Prazeres - Allyson Alves.

Sou eu escrevendo seu nome
Num muro pintado de verde.
Lá na Rua dos Prazeres.
E que tantos afazeres
Implicados ao teu nome
Me fazem escreveres?
Nos sonhos, entre sérios e seres
Tu me acordas, na Rua dos Prazeres,
Na casa de altos e baixos,
De fachada simples e muitas paredes.
Tão igual a qualquer casa.
Qualquer outra que já esteve,
Noutra, ou na Rua dos Prazeres,
Onde teu nome está na caçada,
Na sacada, escada e tapete.
Na sala, cama, quarto e rede.
Tão discreto que às vezes
Me vejo à porta da tua casa,
No cuidado pra não veres,
Riscando às pressas o teu nome
Com o meu num muro verde
Lá da Rua dos Prazeres.

quarta-feira, 23 de março de 2011

"Florriso" - Maria Morena Morria de Rir - Allyson Alves.

Morri,
Nas graças de Maria
Morri de amores.
Morri de Maria.
Morri.
De morena.
Morria de Maria morena... E ria!
Morena Maria morria de rir!
E da morte brotou “florriso”:
Sorriso de flor!
Que Maria regou.
As morenas pétalas
Pra Maria rir.
E riso de flor,
De Maria-flor.
Pra morena rir
Do que de mim sobrou,
Me pus a “florrir”.
E pra Maria, a flor,
Pra morrer de rir!

terça-feira, 15 de março de 2011

Vai - Allyson Alves.

Vai.
Riscando o chão
Parede e mão
Papel e não
Se importa em não mais riscar
Qualquer borrão, sem direção
Sem retornar
Sem ter paixão no que pintar
Sem coração, sem giz
Sem tinta, sem lugar
Para pintar o seu sonhar
Se desenhando a planar
Sem céu, sem sol
Sem avisar
A hora que for terminar
Com que cor irá deixar
Pra lhe render
Um só olhar
Que vai pausar e se
Vai.