quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O que fica - Allyson Alves.


O importante da vida talvez nem seja ela.
Talvez seja a obra.
Aquilo que se deixa de concreto, além das lembranças.
Estas, eu creio, que também levamos, e,
Talvez, seja a única coisa que levamos.
Vivo, também,para a minha arte,
Que é uma grande parte de mim.
É o que, de mim, vai ficar quando partir.
Não é que eu não ligue pra vida, eu ligo,
Mas acho que mais importante do que ela,
É o que se faz nela, o que se faz com ela.
É toda a diferença positiva,
Que a nossa vida possa fazer na vida do outro.
Daquilo que se deixa de bom,
Acaba ficando um pouco no outro.
E viveremos nele, mais um pouco.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Por que Poesia? - Allyson Alves.




Tem sempre que se ter poesia...
Perceber a poesia
Ver, ouvir, sentir, ler...
Tocar com poesia.
Cheirar a poesia.
A poesia sempre tem dor e amor.
Sempre tem cor e sabor.
Temos que ensinar a poesia
Para viver com mais poesia.
Ter amizades poetizadas
Pra desfiar uma prosa demorada.
Tem que se andar com poesia.
E não perde-la de vista
Para o acaso de se perder
Tê-la junto, como guia.
A poesia é livre como um passo à toa
Num dia de folga que se vive.
Não tem direção, nem caminho,
Nem roupa, nem partido.
Talvez um coração partido.
Talvez uma breve partida.
Pra viajar na poesia
Vivendo em versos
Versando em vida.

Abusada - Allyson Alves.


Parado aqui na minha janela
Pensei nela, de madrugada.
Era bela, pele clara
E com uma cara de abusada.
Ela, de mim, não tinha nada,
E eu só a tinha nas palavras.

sábado, 18 de agosto de 2012

Desame - Allyson Alves.




Desame, quando lhe trouxer angústia.
Desamarre o laço que une um coração ao outro.
Desligue-o de ti.
Descubra-se de novo.
Deserte-se para refletir.
Desminta o que não funciona mais.
Descole os pés do chão.
Decore uma boa canção.
Derrube todas as lágrimas de uma vez.
Demonstre teu outro lado.
Demore mais observando.
Deguste mais todos os momentos.
Delire quando lhe for bom.
Desapaixone um pouco.
Descontrole-se um muito.
Derrote o que lhe fizer mal.
Desenvolva-se a partir deste.
Decole para novos horizontes.
Detenha quando quiser pra si.
Desame, quando lhe trouxer angústia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Porta-retrato - Allyson Alves.


Virei um cara abobado.
Até um pouco afobado.
Vivo mandando recado
Pra quem não me quer mais do lado.

Virei um porta-retrato.
Só um momento, fato, passado.
Vivo guardando a lembrança
De um tempo que ficou parado.

Virei um relógio atrasado.
Marcando, girando...
Vivo parado no tempo
Que corre nos ponteiros rodados.

Virei um palco.
Que anda muito apagado.
Vivo esperando a estrela
Pra fazer o seu espetáculo.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Historinha pra você dormir - Allyson Alves.


Era uma vez uma Estrelinha
Pra quem eu fiz essa história:


Brilha lá no céu uma Estrelinha
Muito pequenininha.
Mas brilha tanto como o sol.
E brilhará sobre nós todos os dias
Todas as noites, depois do sol.
E não queria que ela fosse estrelinha,
Mas papai do céu quis acender mais uma luz.
Clareia os nossos caminhos,
Vigia daí o coração que ficou sozinho.
Tanta graça no sorriso
Que brilhou antes da hora.
Nasceu para ser estrela
E viveu pra ter essa história.
Papai do céu, cuida de nós,
E da Estrelinha que está no céu agora.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Nos Damascos da Ceia de Natal - Allyson Alves.


Cada um tem seu tempo.
Dura um tempo;
Aprende um tempo,
Pratica um tempo,
Ensina um tempo,
E observa um tempo.
Cada um com seu tempo
Me fazendo entender como lidar com o meu.
Eu ainda quero durar, um bom tempo.
Pra ver no que dá, daqui a um tempo.
E se eu viver o mesmo tempo que viveu
Quero saber como é viver pra durar.
Quero durar pra ver com o seu olhar
Tudo aquilo que viveu e que o próximo viverá!
Quero sentir o cheiro de muitos tempos,
De muitas roupas, de muita gente,
De muitos ciclos, de muitos climas.
Compreender a cor de muitas modas
De muitos lugares, de muita gente.
Ouvir o som de muitas músicas,
De muitas épocas, de muitas crias.
E ouvir o som da minha voz envelhecida.
Não quero ter o seu tempo
Mas, se tiver, que seja meu
Todo esse tempo que Deus me deu.
No seu tempo, o meu pouco viveu,
Mas nesse pouco aprendi
Que o tempo não deixa fugir.
Se formos bons com ele
Ele nos dura mais.
De repente é isso.
Quero ser avô, tio, tio-avô,
Pai, padrinho, irmão...
Um moço, um homem,
Ou um velho senhor
Que dure uns tantos anos
Que ensine uns tantos jovens
Um tanto quanto me ensinou.
Quero lembrar um tanto de ti que ficou
E usar em um tanto de mim, como foi.
Um dia poder conhecer o sabor de algo novo
Depois de tudo que já provei.
E tentar lembrar de como era na última vez.
Não sei como ou quanto será meu tempo.
Vou durar o que tenho pra durar,
E qualquer dia te encontro
Pra ganhar aquele abraço
Nem um pouco delicado
Que eu gostava de ganhar.
Se for em tempo de festa
Eu levo os Damascos...
Mas até lá, terei tempo pra lembrar!