Moça, sentada no quarto
Calçando sapatos largos
Que são meus... ora, são meus!
Abotoando uma grande camisa
Vermelha... é minha camisa!
Dizendo “eu fico aqui com você”
“quer colo?”, “eu faço o café”.
Que logo chega, por mãos de mulher.
E logo se ajeita. Açúcar, colher...
Pão e manteiga... “você também quer?”
Moça que cedo liga a TV.
Não senta pra ver,
Não pára pra ser.
Quer tudo em paz, eu e você.
Bem capaz, se pudesse prever.
Moça na cama, pronta pro sono.
Não fala, não reclama,
Não sente abandono.
Descalça os sapatos, desabotoa a camisa.
Ora... “boa noite”... boa noite querida!
terça-feira, 16 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
Palavras que não me cabem - Allyson Alves
Outro dia me peguei dizendo coisas que nem me passavam pela cabeça. Não sei se é normal, se isso faz sentido, mas não combina muito comigo. Temos que responder por aquilo que falamos, e é sempre muito difícil quando falamos sem pensar, sem medir as conseqüências. E é possível dizer algo sem pensar antes? Sair construindo frases desordenadamente sem sequer contextualizar? É... não sei, mas fiz!
Falar é um vício, e um grande perigo. Falar é necessário, um exercício incansável, a porta pro imaginário do outro. É a causa de muitos conflitos, o ato, ou se recusar a fazê-lo. É o início de muitos amores, duradouros ou passageiros, ou uma tentativa infeliz de se conseguir a companhia e/ou o beijo de alguém (há quem planeje algo mais).
Falar é simples, mas saber o que dizer, e como dizer é complicado. Por isso, pensar! Por que não? Pensar antes de falar e não correr o risco de ser mal interpretado. De qualquer forma, é ainda uma tarefa difícil. Cada um com seu pensamento silencioso, em particular, mesmo os que têm o pensamento mais alto, mas estamos todos sempre pensando em particular. E pensar diferente faz com que cada um de nós se expresse de formas diferentes, e às vezes tão bem esclarecidos. Às vezes não, (eu mesmo) por muitas vezes expressando algo incompatível com o pensamento, gerando uma confusão generalizada do assunto entre quem discutia.
Tem quem fale com a boca, com o rosto, com os olhos, com o corpo, com as mãos, e, como é muito comum hoje em dia, com os dedos. Falar à distância, sem olhar nos olhos e poder dizer o que sente e o que pensa sem aquele clima desconsertante de ter o outro assistindo o seu ato de apenas dizer. Tímidos se apresentam e verdades brotam até mesmo sem os próprios descobrirem de onde saíram. Para quem tem muito a dizer, escrever é uma boa solução. Para quem não sabe o que dizer, escrever também é uma boa solução, como pra quem não sabe como dizer, como fazer ou como esquecer.
Escrever é poder enxergar as palavras, quase como um espelho. Vemos aquilo que não vemos quando está em nós. Escrever engrandece, envaidece, dá asas à imaginação, permite o reler físico além do psíquico, para melhor compreensão daquilo que se quer comunicar, ou relatar. Escrever é aliviar o peso de ter que carregar as palavras em forma de pensamento, todas, dentro da cabeça.
E como saber o que é real ou irreal? As palavras mentem? Não! As palavras disfarçam, enganam, porque são manipuladas. Palavras ditas têm valor de verdade? Passam total certeza de que estão carregando a verdade até o fim da frase? E as escritas? São mais confiáveis? Palavras não distinguem o certo do errado por si mesmas, palavras lindas, de amor, podem ser cruéis, causar danos... dor. E como saber? Ainda não descobri, mas vamos continuar tentando entender.
No fim desse texto, deixo claro de que não há em mim a certeza de que soube me expressar. Como eu pretendia, não sei, tentei, mas eu me expressei. A força da palavra está na liberdade de expressão. Escrever pode ser só um jeito tímido de dizer: “Eu amo você” ou “Eu odeio você”. Falar é dirigir-se ao outro com a sua palavra, a expressão oral e vital, do seu próprio corpo. Agora eu vejo que pensei, escrevi, usei de palavras para tentar me expressar, tentar dizer, tentar mostrar, e, principalmente, me fazer entender que falar é algo belíssimo, porém, complicado de se fazer.
Falar é um vício, e um grande perigo. Falar é necessário, um exercício incansável, a porta pro imaginário do outro. É a causa de muitos conflitos, o ato, ou se recusar a fazê-lo. É o início de muitos amores, duradouros ou passageiros, ou uma tentativa infeliz de se conseguir a companhia e/ou o beijo de alguém (há quem planeje algo mais).
Falar é simples, mas saber o que dizer, e como dizer é complicado. Por isso, pensar! Por que não? Pensar antes de falar e não correr o risco de ser mal interpretado. De qualquer forma, é ainda uma tarefa difícil. Cada um com seu pensamento silencioso, em particular, mesmo os que têm o pensamento mais alto, mas estamos todos sempre pensando em particular. E pensar diferente faz com que cada um de nós se expresse de formas diferentes, e às vezes tão bem esclarecidos. Às vezes não, (eu mesmo) por muitas vezes expressando algo incompatível com o pensamento, gerando uma confusão generalizada do assunto entre quem discutia.
Tem quem fale com a boca, com o rosto, com os olhos, com o corpo, com as mãos, e, como é muito comum hoje em dia, com os dedos. Falar à distância, sem olhar nos olhos e poder dizer o que sente e o que pensa sem aquele clima desconsertante de ter o outro assistindo o seu ato de apenas dizer. Tímidos se apresentam e verdades brotam até mesmo sem os próprios descobrirem de onde saíram. Para quem tem muito a dizer, escrever é uma boa solução. Para quem não sabe o que dizer, escrever também é uma boa solução, como pra quem não sabe como dizer, como fazer ou como esquecer.
Escrever é poder enxergar as palavras, quase como um espelho. Vemos aquilo que não vemos quando está em nós. Escrever engrandece, envaidece, dá asas à imaginação, permite o reler físico além do psíquico, para melhor compreensão daquilo que se quer comunicar, ou relatar. Escrever é aliviar o peso de ter que carregar as palavras em forma de pensamento, todas, dentro da cabeça.
E como saber o que é real ou irreal? As palavras mentem? Não! As palavras disfarçam, enganam, porque são manipuladas. Palavras ditas têm valor de verdade? Passam total certeza de que estão carregando a verdade até o fim da frase? E as escritas? São mais confiáveis? Palavras não distinguem o certo do errado por si mesmas, palavras lindas, de amor, podem ser cruéis, causar danos... dor. E como saber? Ainda não descobri, mas vamos continuar tentando entender.
No fim desse texto, deixo claro de que não há em mim a certeza de que soube me expressar. Como eu pretendia, não sei, tentei, mas eu me expressei. A força da palavra está na liberdade de expressão. Escrever pode ser só um jeito tímido de dizer: “Eu amo você” ou “Eu odeio você”. Falar é dirigir-se ao outro com a sua palavra, a expressão oral e vital, do seu próprio corpo. Agora eu vejo que pensei, escrevi, usei de palavras para tentar me expressar, tentar dizer, tentar mostrar, e, principalmente, me fazer entender que falar é algo belíssimo, porém, complicado de se fazer.
Outra Vez - Allyson Alves
O que te faz pensar que tudo é ruim?
Eu digo a você que não é bem assim.
O que te faz pensar em mim?
O mesmo que me faz pensar em ti?
O que será que tem no fim?
Do arco-íris, da vida, do espaço...
No fundo do mar existe outro mundo?
No fundo dos olhos outra pessoa?
A vida real, bem me faz rir,
E curtir o que é e o que foi,
Faz-me planejar o que será.
E eu não me queixo se não gostar.
Hey garota, vem comigo!
Só dê ouvido ao seu coração.
Com o tempo te explico...
Todo louco tem um pouco de razão.
Confia no risco, e no imprevisto.
Com a cabeça erguida e um pouco de juízo
Passe pela vida, antes que ela passe por ti.
Dê a volta ao mundo, mesmo que depois pare aqui.
Todo dia e toda noite
Eu pergunto se a vida vale tanto açoite.
Ninguém nunca me responde.
Vou descobrindo por ai, não sei por onde.
Hey garota, que de tudo tem idéias tortas!
Quem eu sou ainda não importa
Vou valer a confiança
Seja de homem, mulher, adulto ou criança.
Eu digo a você que não é bem assim.
Tudo tem o seu por que, hora e lugar.
Sempre tentar pra ver no que dá.
E se não der, tentar de novo, e todo dia tentar!
Eu digo a você que não é bem assim.
O que te faz pensar em mim?
O mesmo que me faz pensar em ti?
O que será que tem no fim?
Do arco-íris, da vida, do espaço...
No fundo do mar existe outro mundo?
No fundo dos olhos outra pessoa?
A vida real, bem me faz rir,
E curtir o que é e o que foi,
Faz-me planejar o que será.
E eu não me queixo se não gostar.
Hey garota, vem comigo!
Só dê ouvido ao seu coração.
Com o tempo te explico...
Todo louco tem um pouco de razão.
Confia no risco, e no imprevisto.
Com a cabeça erguida e um pouco de juízo
Passe pela vida, antes que ela passe por ti.
Dê a volta ao mundo, mesmo que depois pare aqui.
Todo dia e toda noite
Eu pergunto se a vida vale tanto açoite.
Ninguém nunca me responde.
Vou descobrindo por ai, não sei por onde.
Hey garota, que de tudo tem idéias tortas!
Quem eu sou ainda não importa
Vou valer a confiança
Seja de homem, mulher, adulto ou criança.
Eu digo a você que não é bem assim.
Tudo tem o seu por que, hora e lugar.
Sempre tentar pra ver no que dá.
E se não der, tentar de novo, e todo dia tentar!
Pra Você - Allyson Alves
Algumas horas falta tempo só pra nós;
Algumas horas falta um bom lugar.
Algumas vezes falto eu ou você;
Algumas vezes só ligando pra se ver.
Algumas horas falta grana e opções;
Algumas horas sobram opiniões.
Algumas vezes eu te sinto sem te ter;
Algumas vezes só entendemos se doer.
Algumas horas falta nota na cantiga;
Algumas horas falta o que sentir falta.
Algumas vezes falta bossa em nossas vidas;
Algumas vezes falta nova, falta a antiga.
Algumas horas falta som, falta silêncio;
Algumas horas falta luz e escuridão.
Algumas vezes não nos percebemos;
Algumas vezes entendemos, outras não.
Algumas horas são tão longas;
Algumas horas são chamegos relâmpagos.
Algumas vezes é normal, na medida;
Algumas vezes o exagero causa mal.
Algumas horas eu finjo que não amo;
Algumas vezes você finge que não vê.
Algumas horas você é um anjo;
Algumas vezes sou o diabo pra você.
Algumas vezes eu te amo e te amo;
Algumas horas ouço isso de você.
Algumas vezes nos brigamos por engano;
Algumas horas são o bastante pra entender.
Algumas horas falta um bom lugar.
Algumas vezes falto eu ou você;
Algumas vezes só ligando pra se ver.
Algumas horas falta grana e opções;
Algumas horas sobram opiniões.
Algumas vezes eu te sinto sem te ter;
Algumas vezes só entendemos se doer.
Algumas horas falta nota na cantiga;
Algumas horas falta o que sentir falta.
Algumas vezes falta bossa em nossas vidas;
Algumas vezes falta nova, falta a antiga.
Algumas horas falta som, falta silêncio;
Algumas horas falta luz e escuridão.
Algumas vezes não nos percebemos;
Algumas vezes entendemos, outras não.
Algumas horas são tão longas;
Algumas horas são chamegos relâmpagos.
Algumas vezes é normal, na medida;
Algumas vezes o exagero causa mal.
Algumas horas eu finjo que não amo;
Algumas vezes você finge que não vê.
Algumas horas você é um anjo;
Algumas vezes sou o diabo pra você.
Algumas vezes eu te amo e te amo;
Algumas horas ouço isso de você.
Algumas vezes nos brigamos por engano;
Algumas horas são o bastante pra entender.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Borboleta - Allyson Alves
"Caçando palavras como se caça borboleta;
eu via você no final de uma rua estreita
e ria de cá pra não te mostrar graça.
De graça, aqui fiquei muito tempo.
E que graça, custou tão caro!
Você voando feito borboleta
e eu me palavreando, garranchando em cadernos errados.
E quando aprendi a desenhar borboleta,
você me apreendeu no seu vocabulário!!"
eu via você no final de uma rua estreita
e ria de cá pra não te mostrar graça.
De graça, aqui fiquei muito tempo.
E que graça, custou tão caro!
Você voando feito borboleta
e eu me palavreando, garranchando em cadernos errados.
E quando aprendi a desenhar borboleta,
você me apreendeu no seu vocabulário!!"
A solidão - Allyson Alves
Eu me pergunto quem sou
E a solidão responde.
Não me interessa o nome...
Não me interessa o nome...
Ela até diz: meu amor!
Vive querendo romance.
E fala isso com fome...
E fala isso com fome...
A solidão me mudou
De casa e telefone,
Me transformou nesse tédio...
Desmedido perigo constante...
Revoltei-me de vez...
E disse à solidão:
“Parei com você!”
Vou ser eu, vou ser.
Voltar a escrever,
Cantar, sorrir, viver e esquecer
Que uma certa solidão pode aparecer.
E dela eu fujo, estou no palco pra quem vê.
E a solidão responde.
Não me interessa o nome...
Não me interessa o nome...
Ela até diz: meu amor!
Vive querendo romance.
E fala isso com fome...
E fala isso com fome...
A solidão me mudou
De casa e telefone,
Me transformou nesse tédio...
Desmedido perigo constante...
Revoltei-me de vez...
E disse à solidão:
“Parei com você!”
Vou ser eu, vou ser.
Voltar a escrever,
Cantar, sorrir, viver e esquecer
Que uma certa solidão pode aparecer.
E dela eu fujo, estou no palco pra quem vê.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Número 3 – Subjetivo - Allyson Alves.
Eu passaria o resto das noites em claro
Se pudesse assistir, para sempre, o seu sono.
E ao lado de sua cama ficaria sentado
Guardando-a dos pesadelos que oferecessem incômodo.
Os meus olhos abertos e os lábios sempre cerrados
Te afastam de mim para uma vida distante,
Sou um covarde e você sabe
Não sou belo, nem rico, nem mais estranho.
Você perturba a minha paz
Me adoece do jeito que quero
Adoçou-me há tempos atrás
Agora reaparece e confunde todo o resto.
Por que sempre olha para o lado errado?
Sempre caminha contra o vento?
Você almeja o mesmo que eu.
Não sei como calcula o seu tempo.
Não culpo a ti porque bem sei
Que a solução eu sempre perco
A hora certa ou o lugar,
Perco você, logo, me perco...
Se pudesse assistir, para sempre, o seu sono.
E ao lado de sua cama ficaria sentado
Guardando-a dos pesadelos que oferecessem incômodo.
Os meus olhos abertos e os lábios sempre cerrados
Te afastam de mim para uma vida distante,
Sou um covarde e você sabe
Não sou belo, nem rico, nem mais estranho.
Você perturba a minha paz
Me adoece do jeito que quero
Adoçou-me há tempos atrás
Agora reaparece e confunde todo o resto.
Por que sempre olha para o lado errado?
Sempre caminha contra o vento?
Você almeja o mesmo que eu.
Não sei como calcula o seu tempo.
Não culpo a ti porque bem sei
Que a solução eu sempre perco
A hora certa ou o lugar,
Perco você, logo, me perco...
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