Suspender a gravidade,
Fazer o planeta hibernar.
Pra que todo mundo sonhe bastante.
Pairando, leve, no ar.
E quando abrir os olhos,
Recomeçar pra ver no que vai dar.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
A forma mais esdrúxula que eu encontrei para falar de Amor – Allyson Alves
O amor é um buraco.
Só que a gente vê e para pra analisar seus traços;
Alguns buracos estão cercados por faixas tracejadas,
E assim também se faz com o Amor.
E o amor é mesmo um buraco.
Um buraco consideravelmente confortável,
Do tipo que quase nunca dá vontade de sair.
E desse tipo só tem ele.
O Amor, sendo um buraco, é uma armadilha natural,
E é tão natural que capture um pobre desavisado.
Aos caçadores desse tipo de buraco, a árdua tarefa
De estar sempre disposto a cavar novos buracos,
Até encontrar um que tenha o devido espaço.
E já que não é pra falar bonito, consideremos que,
Buraco bom é buraco fundo. De que adianta um raso?
Buracos rasos não oferecem perigo,
Não amassam aros de carros, não assustam,
E não são percebidos.
Não os cercam com faixas tracejadas.
Assim é o Amor.
Bom mesmo quando é profundo.
Desses que te amassam, te marcam,
Te fazem tropeçar (ainda que quebre a cara),
Que te instigam a arriscar, aventurar-se a conhecer,
Observar, estudar, e aventurar-se além da faixa tracejada.
O Amor é um buraco muito bem disfarçado.
Um grande, profundo e camuflado buraco,
Do tipo que causa muitos e muitos estragos.
O tipo do buraco em que eu quero me estabacar.
Sem dúvida nenhuma, foi a coisa mais feia que eu já escrevi até hoje.
Mas não convenceu a me calar.
Só que a gente vê e para pra analisar seus traços;
Alguns buracos estão cercados por faixas tracejadas,
E assim também se faz com o Amor.
E o amor é mesmo um buraco.
Um buraco consideravelmente confortável,
Do tipo que quase nunca dá vontade de sair.
E desse tipo só tem ele.
O Amor, sendo um buraco, é uma armadilha natural,
E é tão natural que capture um pobre desavisado.
Aos caçadores desse tipo de buraco, a árdua tarefa
De estar sempre disposto a cavar novos buracos,
Até encontrar um que tenha o devido espaço.
E já que não é pra falar bonito, consideremos que,
Buraco bom é buraco fundo. De que adianta um raso?
Buracos rasos não oferecem perigo,
Não amassam aros de carros, não assustam,
E não são percebidos.
Não os cercam com faixas tracejadas.
Assim é o Amor.
Bom mesmo quando é profundo.
Desses que te amassam, te marcam,
Te fazem tropeçar (ainda que quebre a cara),
Que te instigam a arriscar, aventurar-se a conhecer,
Observar, estudar, e aventurar-se além da faixa tracejada.
O Amor é um buraco muito bem disfarçado.
Um grande, profundo e camuflado buraco,
Do tipo que causa muitos e muitos estragos.
O tipo do buraco em que eu quero me estabacar.
Sem dúvida nenhuma, foi a coisa mais feia que eu já escrevi até hoje.
Mas não convenceu a me calar.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Mês - Allyson Alves
Esse mesmo mês...
Essas mesmas idéias que ocorrem,
E as mesmas expectativas consomem.
Esse mesmo mês...
Que envelhece e felicita,
Que interfere na vida.
Esse mesmo mês...
Que inaugura uma nova fração do futuro,
E futuro que se inaugura, por segundo, obscuro.
Esse mesmo mês...
Do dia 27, de Ação de Graças,
Do aniversário, daquele moleque.
Esse mesmo mês...
Sutil, suave, sadio e sereno,
Santo, sagrado, mês de Novembro.
Essas mesmas idéias que ocorrem,
E as mesmas expectativas consomem.
Esse mesmo mês...
Que envelhece e felicita,
Que interfere na vida.
Esse mesmo mês...
Que inaugura uma nova fração do futuro,
E futuro que se inaugura, por segundo, obscuro.
Esse mesmo mês...
Do dia 27, de Ação de Graças,
Do aniversário, daquele moleque.
Esse mesmo mês...
Sutil, suave, sadio e sereno,
Santo, sagrado, mês de Novembro.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Pessoal e social - Allyson Alves
Quando eu me acerto, me erram;
E quando destrambelho, recriminam;
Quando eu me acho, me perdem;
E quando eu me perco, me encontram;
Quando eu amo, repelem;
E quando não amo, me fazem;
Quando quero, se afastam;
E quando eu abandono, me acolhem;
Quando eu espero, não vêm;
E quando distraído, me acontecem;
Quando eu digo que sim, não crêem;
E quando digo que não, se enganam;
Quando eu sei, não me valem;
E quando duvidoso, se inseguram;
Quando eu me apaixono, é platônico;
E quando não me apaixono, machuco;
Quando eu corro, não me alcançam;
E quando eu paro, me atropelam;
Quando eu digo que sou, desdenham;
E quando não digo, de mim esperam;
Quando eu falo, não ouvem;
E quando escrevo, não me esquecem;
Quando eu recuo, me atacam;
E quando ataco, eu venço;
Quando eu digo que vivo, eu vivo;
E quando eu digo que morro, eu morro!
E quando destrambelho, recriminam;
Quando eu me acho, me perdem;
E quando eu me perco, me encontram;
Quando eu amo, repelem;
E quando não amo, me fazem;
Quando quero, se afastam;
E quando eu abandono, me acolhem;
Quando eu espero, não vêm;
E quando distraído, me acontecem;
Quando eu digo que sim, não crêem;
E quando digo que não, se enganam;
Quando eu sei, não me valem;
E quando duvidoso, se inseguram;
Quando eu me apaixono, é platônico;
E quando não me apaixono, machuco;
Quando eu corro, não me alcançam;
E quando eu paro, me atropelam;
Quando eu digo que sou, desdenham;
E quando não digo, de mim esperam;
Quando eu falo, não ouvem;
E quando escrevo, não me esquecem;
Quando eu recuo, me atacam;
E quando ataco, eu venço;
Quando eu digo que vivo, eu vivo;
E quando eu digo que morro, eu morro!
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Desabafo n° 4 - Allyson Alves
Venho por aqui registrar por essas pobres e mal escolhidas palavras, o que recentemente me aconteceu, e me vem acontecendo. Já que a memória recente não ajuda, recorro às teclas e tela (o que antes seria: papel e caneta).
O jeito que me senti a vontade naquela sexta feira, numa mesa de bar;
O jeito que ela sorria, olhava, e falava deslumbrada sobre as estrelas do céu das Gerais;
O jeito que a vida tem de complicar a minha vida;
O jeito que eu finalmente conheci quem eu tanto já havia conversado;
O jeito que ela tem de me divertir e carinhar;
O jeito que as coisas ficam quando volto pra cá;
O jeito tão particular de ver a vida, que nem se pode comentar com alguém;
O jeito que eu fico quando não tenho muito jeito pra ficar;
O jeito que me disseram que a minha música tocou no rádio;
O jeito bobo que a minha cara ficou;
O jeito breve de perceber que eu nem sempre sei o que fazer;
O jeito que ela tem de me confundir e complicar;
O jeito que a música tem de me levar;
O jeito que eu não conheço pra fazer todo mundo escutar;
O jeito que eu escrevo só pra me aliviar;
O jeito estranho com que tudo isso me faz funcionar.
Ainda volto qualquer dia pra todos os lugares que me fizeram feliz, ainda que neles não esteja mais ninguém.
O jeito que me senti a vontade naquela sexta feira, numa mesa de bar;
O jeito que ela sorria, olhava, e falava deslumbrada sobre as estrelas do céu das Gerais;
O jeito que a vida tem de complicar a minha vida;
O jeito que eu finalmente conheci quem eu tanto já havia conversado;
O jeito que ela tem de me divertir e carinhar;
O jeito que as coisas ficam quando volto pra cá;
O jeito tão particular de ver a vida, que nem se pode comentar com alguém;
O jeito que eu fico quando não tenho muito jeito pra ficar;
O jeito que me disseram que a minha música tocou no rádio;
O jeito bobo que a minha cara ficou;
O jeito breve de perceber que eu nem sempre sei o que fazer;
O jeito que ela tem de me confundir e complicar;
O jeito que a música tem de me levar;
O jeito que eu não conheço pra fazer todo mundo escutar;
O jeito que eu escrevo só pra me aliviar;
O jeito estranho com que tudo isso me faz funcionar.
Ainda volto qualquer dia pra todos os lugares que me fizeram feliz, ainda que neles não esteja mais ninguém.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Coração Cigano - Allyson Alves
Coração cigano que vive na trincheira
À espreita de uma nova, e inocente amoreira
Que por engano se deita com qualquer suspeita
E se aproveita do momento, e só. Não se respeita.
Coração cigano, sangrando sob essa amoreira
Usando de palavras em tom de besteira
Trocando as pernas, tocando as mãos
Sentindo frio, fome e paixão
Esse coração cigano, ao que tudo indica
De nada serve, pro ouvido ou pra escrita.
Se entrincheira em amorosas amoras
Amorenadas pelo sol sobre a amoreira
Um coração cigano, lesado e mundano,
Cansando a toa, causando o pranto
Do peito, no canto esquerdo e no pano
O que resta pra limpar o que sujou a amora.
À espreita de uma nova, e inocente amoreira
Que por engano se deita com qualquer suspeita
E se aproveita do momento, e só. Não se respeita.
Coração cigano, sangrando sob essa amoreira
Usando de palavras em tom de besteira
Trocando as pernas, tocando as mãos
Sentindo frio, fome e paixão
Esse coração cigano, ao que tudo indica
De nada serve, pro ouvido ou pra escrita.
Se entrincheira em amorosas amoras
Amorenadas pelo sol sobre a amoreira
Um coração cigano, lesado e mundano,
Cansando a toa, causando o pranto
Do peito, no canto esquerdo e no pano
O que resta pra limpar o que sujou a amora.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Sonâmbulo - Allyson Alves
Traço-me limites, muros, cercas
Portas e porteiras que ultrapasso.
E incerto de cada passo que teimam
Pisar meus pés, e seguir, sofro.
E louco por não saber o que fazer,
Numa das poucas vezes que isso me acontece.
Nunca existiram dúvidas no extremismo do meu ser.
Mas agora há.
Não sei lidar com isso.
O meu extremismo compreende o amar e o deixar,
Compreende o persistir e o abandonar,
Meu extremismo desconhece o duvidar.
E há, se há, um descontrole motor,
No meu coração-motor, inventor de amor,
Teimo dizer não, mas a boca teima em não falar.
E teimo em pensar são, mas insano, ouço: “vá...”.
Na discussão em que me encontro
Nem silêncio, nem canção...
Nem certeza, pra não duvidar.
Meu coração-motor, insano, sonâmbulo acordado tende
A me levar aonde passos se cansariam de tanto andar.
Na pouca frieza emocional que me resta, eu finjo acreditar
Que estou no controle, mas acho que no fim, tão só, não dá.
Portas e porteiras que ultrapasso.
E incerto de cada passo que teimam
Pisar meus pés, e seguir, sofro.
E louco por não saber o que fazer,
Numa das poucas vezes que isso me acontece.
Nunca existiram dúvidas no extremismo do meu ser.
Mas agora há.
Não sei lidar com isso.
O meu extremismo compreende o amar e o deixar,
Compreende o persistir e o abandonar,
Meu extremismo desconhece o duvidar.
E há, se há, um descontrole motor,
No meu coração-motor, inventor de amor,
Teimo dizer não, mas a boca teima em não falar.
E teimo em pensar são, mas insano, ouço: “vá...”.
Na discussão em que me encontro
Nem silêncio, nem canção...
Nem certeza, pra não duvidar.
Meu coração-motor, insano, sonâmbulo acordado tende
A me levar aonde passos se cansariam de tanto andar.
Na pouca frieza emocional que me resta, eu finjo acreditar
Que estou no controle, mas acho que no fim, tão só, não dá.
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