quarta-feira, 23 de março de 2011

"Florriso" - Maria Morena Morria de Rir - Allyson Alves.

Morri,
Nas graças de Maria
Morri de amores.
Morri de Maria.
Morri.
De morena.
Morria de Maria morena... E ria!
Morena Maria morria de rir!
E da morte brotou “florriso”:
Sorriso de flor!
Que Maria regou.
As morenas pétalas
Pra Maria rir.
E riso de flor,
De Maria-flor.
Pra morena rir
Do que de mim sobrou,
Me pus a “florrir”.
E pra Maria, a flor,
Pra morrer de rir!

terça-feira, 15 de março de 2011

Vai - Allyson Alves.

Vai.
Riscando o chão
Parede e mão
Papel e não
Se importa em não mais riscar
Qualquer borrão, sem direção
Sem retornar
Sem ter paixão no que pintar
Sem coração, sem giz
Sem tinta, sem lugar
Para pintar o seu sonhar
Se desenhando a planar
Sem céu, sem sol
Sem avisar
A hora que for terminar
Com que cor irá deixar
Pra lhe render
Um só olhar
Que vai pausar e se
Vai.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Anoiteço - Allyson Alves

A cada dia reconheço
Que careço, padeço e anoiteço.
Impressiona-me quase não haver medo
Além do medo por não temer o que vejo.

E vejo um homem sem medo do futuro,
E de futuro nebuloso, talvez inseguro,
Talvez seja bom não saber do futuro
Mal sei deste homem que sou: nebuloso, inseguro.

Estranho não ter insônia.
Estranho meu bom humor.
Estranho os cabelos compridos, o olhar caído
E na boca nenhum sabor.

Reconheço que careço, padeço e anoiteço.
No raiar do meu dia, sob o sol, nada vejo.
Na escuridão da minha vida me aconchego,
E apareço na janela para um novo recomeço.

E recomeço hoje. E amanhã repito o mesmo.
Aos poucos vou perdendo o medo de quando careço
Até já não carecer ter medo ou futuro,
Se mesmo com o sol eu anoiteço.

Estranho não ter insônia...
E acordar sempre de bom-humor.

Que nem água - Allyson Alves

“Em tempos de maré baixa
A vida fica que nem água:
Insípida, inodora e incolor.”


“Vida escoada. Chorada.
E no seu leito derramada.
Cadenciada na correnteza irregular
Da geografia do seu curso.
A cada curva, cada pedra, e,
Cada queda, uma aventura.
Na correria das corredeiras
Dessa vida suada, de encharcar,
Pouco tempo se tem para perceber
O encher d’água dos olhos,
E o bem-estar mareado.
E a vida, chuva de mistérios,
Segue malhada, segue pingada,
E segue molhada de tempestades.
E o triunfo da vida é
Faze-la não se conter, até transbordar.”

Querenciando - Allyson Alves

Não sei ao certo o que eu realmente quero.
Eu sei exatamente aquilo que eu não quero, e,
Ainda assim, há de se aproveitar alguma coisa disso também.
Não sei quem eu quero, e bastava saber se eu quero,
Saber se realmente quero, já seria um bom começo.
Ainda que não durasse, como todo o resto não durou,
E como tudo não dura pra sempre.
Não sei quem quer o quê, e nem se nesse “quê” eu me incluo.
E nem se haveria jeito de querer a pessoa “quem”
Que também não deve saber o que quer.
Eu não sei o que realmente quero,
Mas sei exatamente tudo o que não quero.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Um ano bom - Allyson Alves

Despeço-me deste ano bom.
Ainda que não tenha sido tão bom.
Apenas não me darei ao trabalho de criticá-lo.
Há quem diga que foi um bom ano,
E há quem acredite nisso.
Há quem sinta tristeza de ir-se embora dele,
E outros, como eu, que se aliviam.
Não tenho bons anos pares.
Ainda não sei o por que.
Mas no costume do hábito
De obter mais sucesso em anos ímpares,
Eu, aguardo que o próximo se inaugure,
E que da sua inauguração se faça a minha.
E que da minha re-inauguração se abram portas
E janelas que me apresentem novas trilhas.
E que das novas trilhas eu faça minha nova vida!

Obrigado pelos educadores calos de 2010.
Seja bem vindo 2011.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Tempo alado - Allyson Alves

E o tempo que se perde analisando bobagens,
Falando de coisas que só gastam o tempo?
É... Tempo veloz.
Tempo este que passa lento,
E tem por passatempo escassear-se com o tempo.
E o tempo que se luta, que se culta.
Tempo de eterna busca pra ser dono do próprio nariz,
Que está todo o tempo na nossa cara.
E tudo no seu devido tempo se embeleza, se ajusta
E se envelhece e se madura.
“Dê tempo ao tempo”.
Como se o tempo precisasse de mais tempo...
Já não basta o tanto que rouba de mim?
Tanto me toma, que mal tenho tempo
Para me atinar do furto.
E em pouco tempo, vou sendo tomado.
E depois de tanto tempo serei esquecido.
Enquanto há tempo, não me ponho calado
E nem me dou por vencido.
Ainda que a tempo de guerra com o tempo
Muitos têm lutado e tantos, tolos, perdido.
É ver que o tempo é um aliado.
Um bom e velho amigo,
Que há tempos me tem criado.
E é no vácuo desse tempo alado
Que estranho e me duvido, se,
É tão bom o tempo, pois me trouxe aqui,
Ou perigoso por não saber pra onde me tens levado?