segunda-feira, 12 de julho de 2010

Vagando pelo meu vagão - Allyson Alves

Aqui não ancoro, não pretendo me amarrar,
Nem me enlaçar. Sem vínculos...
Raízes? Amores? Planos? Jamais...
Por mais que me venham, finjo que não.
Por mais que eu queira, teimo que não.
Mas não vou. Não vou por um motivo:
Eu vou, subir a serra, cedo ou tarde.
Vou agora, volto, mas uma hora, não mais.
E o que aqui tiver, eu vou deixar.
Mas de verdade, só a companhia da sombra não basta.
Só o que eu digo, não alimenta.
O que escrevo já não consola.
O que eu canto, mal posso escutar.
E até pro que eu me nego, se deixar eu vou.
É a verdade, que fere meu orgulho gigante, ao dizer.
Mas jamais vou admitir...
Pelo menos até eu pensar diferente.
Não me ancoro porque não sou tão bom assim,
E me lanço pra frente, pra vida.
A vida é minha, passageira, que nem trem.
Minha vida é um trem caipira com tantos vagões:
Um pros amores, paixões e musas, um pros sonhos,
Outro com uma banda de rock tocando incansavelmente,
Um bem grande pra família, um aconchegante pros amigos,
Um só pro meu gênio e outro pra mim, lá no final da fila.
E como o trem caipira a minha vida segue.
Na parada, alguns ficam, outros se chegam,
Uns perdem o trem, outros vem clandestinos.
E na estrada de ferro por onde minha vida se embala
Pode ser que meu trem pare na próxima estação, de vez.
Pode ser que a próxima seja só a minha parada, só minha.
Não me preocupo nem um pouco, eu vou.
No meu vagão solitário e sem saída, compondo,
A partir do olhar que tenho sobre as coisas da vida,
Eu me reservo, e me preparo. Me perco e me acho.
E nas gavetas eu guardo um pouco de cada Allyson.
Meu trem sobe a serra devagar.
A minha mente é mais veloz, e meu gênio, impaciente.
Mas eu espero, e trabalho, e dou um passo de cada vez.
E Deus vai me ajudar a chegar, sei que vai.
Nem que seja pra olhar da janela, do meu vagão
E acenar, sorrindo... “Adeus”!

2 comentários:

Ana...aninha... disse...

Ai...ai... Quando for de vez subir a serra, me convide um dia pra tomar um café (ainda que eu não tome café), para tocar uma moda (ainda que eu não toque viola)ou pra escrever um poema (isso eu acho que a gente pode fazer juntos).
Aja melancolia para um texto só... Parabéns!

Barbara disse...

seu texto dá aquela sensação de ''saudade do que eu não vivi'', sabe?
haha
uma espécie de saudade antecipada.
uma saudade sentida antes que seu alvo se ausente.
quando você subir a serra de vez, mande notícias, pelo menos.
e espero que isso não seja logo. afinal, mal entrou na minha vida e já quer sair? assim sem nem pedir licença? hahahaha
beijos!